Entrevista “Maaya x CLAMP” para o folheto 0331 traduzida (Parte 3)

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O que você procura em um namorado?

Ohkawa: Ok, eu perguntarei isso… quais são as três coisas que você procura em um namorado?

Sakamoto: O que… eu gostaria de ouvir suas respostas antes.

Ohkawa: Não, você primeiro. (risos)

Sakamoto (depois de pausa para pensar): Primeiro, nossas preferências sobre comida precisam combinar. Ele também deve ser independente. E em terceiro acho que ele deveria ser bondoso.

Ohkawa: Então vamos supor que dois homens encaixam perfeitamente nessas três condições. O que será o desempate?

Sakamoto: … Salário.

Ohkawa: Então essa é a chave para você se apaixonar por um rapaz.

Todas: (Risos altos)

Nekoi: Seus fãs devem tentar bastante e acho eles devem trabalhar até a exaustão por uma chance de namorar Maaya Sakamoto.

Sakamoto: Oh, eu não posso. Quando me casar no futuro, eu realmente não quero todos se perguntando sobre quanto meu marido ganha. (risos)

Nekoi: O tipo de homem que você se apaixona muda ao passar dos anos, então um dia você pode ter respostas diferentes. Além do mais, você sempre pode ganhar o suficiente para fazer o salário do seu marido irrelevante.

Sakamoto: Qual é a resposta de todas vocês para essa questão?

Mokona: No meu caso, alguém com quem eu possa conversar, alguém que sempre me perdoe e alguém com que consegue manter um emprego estável são minhas três condições, e a última é a aparência.

Igarashi: Mas você não quer dizer um tipo bonitão. Eu sei que você adora o artista marcial, Nobuaki Kakuda.

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Nobuaki Kakuda

Sakamoto: Então você quer dizer um tipo mais musculoso?

Mokona: Mais que musculoso, alguém com um caráter forte. Eu gosto de homens interessante e que tenham uma gama de gostos variados.

Sakamoto: E você, Igarashi-san?

Igarashi: Alguém que come direito, alguém com quem eu possa me divertir e alguém esguio.

Ohkawa: Basicamente você gosta de homens magros, não é?

Igarashi: Não consegui pensar numa resposta para a última pergunta e acabei voltando para alguém que come corretamente. Eu gosto de comer e eu acho que dividir uma refeição juntos é uma parte básica do namoro e da vida diária. Então eu não quero ficar enojada quando estou comendo.

Sakamoto: Eu não aguento alguém que reage do mesmo jeito para qualquer comida.

Ohkawa: Nekoi-san, qual é o seu tipo mesmo?

Nekoi: Princípios parecidos, gentil, não ter cabeça-quente. E por último alguém que eu posso respeitar.

Ohkawa: Essas são ótimas respostas.

Sakamoto: Definitivamente – gostei dessas.

Ohkawa: Sim, mas “salário” é melhor pelo fator comédia. (risos)

Mokona: Você é a filha mais velha, então não consegue evitar ser detalhista.

Nekoi: Mas desde que você estabeleceu uma meta fácil de assimilar, eu posso esperar que os homens fiquem empolgados. (risos)

Ohkawa: Mas a ideia não é que Maaya baseia sua decisão numa quantidade, mas sim sobre se essa pessoa tem um emprego adequado. Ele recebe o salário porque é valorizado em sua posição.

Nekoi: Eu espero que eles se empolguem sobre isso também. (risos)

Sakamoto: Peço desculpas por arrastarem vocês comigo nesse tópico (risos)… Ohkawa-san, e você?

Ohkawa: Por exemplo, se estamos comendo com todos, alguém que não derrame minha bebida primeiro. Se estou comendo com você e meu namorado, eu não posso aceita se ele encher meu copo primeiro. (risos)

Igarashi: Afinal, Maaya é nossa convidada, não é?

Ohkawa: Certo, mas não é fácil para os homens pegarem o jeito.

Sakamoto: Hmm, nunca pensei sobre isso antes.

Ohkawa: E em segundo, alguém que não depende de mim financeiramente.

Sakamoto: Não pode deixar isso de fora. (risos)

Ohkawa: Em terceiro alguém com um emprego inesperado. Por exemplo, alguém que faz artigos de laca * ou um carpinteiro. O tipo de emprego que faz as pessoas se perguntarem sobre o trabalho… dada contra colarinhos brancos, mas nossas agendas não iam combinar. Mas provavelmente você não poderia namorar um homem assalariado também, certo? Quando está ocupada atuando ou gravando você não pode ter alguém que explode porque você não pode lhe dar atenção. Não é como se você pudesse responder o celular quando está no estúdio.

Sakamoto: Isso é verdade.

Igarashi: Então tem vezes que você sai em turnê e não volta por três meses.

Sakamoto: Ou eu vou numa viagem de um mês sozinha. (risos)

Ohkawa: Alguém com uma linha trabalho diferente não ficaria zangado com a minha linha de trabalho diferente… então minha última resposta será a mesma que a minha terceira: Alguém com um trabalho diferente.

Sakamoto: Hmm, isso é fascinante.

*: A laca é incrustação resinosa, produzida em certas árvores, resultante da secreção de insectos, como coccus lacca, encontrados em países do oriente como a Índia e a China. (Fonte: Wikipédia)

Parte 2 – Parte 4

 

Entrevista “Maaya x CLAMP” para o folheto 0331 traduzida (Parte 2)

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Preferências mudam com a idade?!

Nekoi: Isso me ocorreu quando participamos de um programa de rádio, mas mesmo que você pareça uma garotinha fofinha por fora, na verdade você tem uma personalidade masculina. (risos)

Sakamoto: Eu não acho que haja uma só pessoa entre os meus fãs mais devotos que hoje em dia pense em mim como menininha (risos)… Eu costumava receber bonecas e coisas parecidas como presente há muito tempo, mas ultimamente isso mudou e agora recebo imo-shochu* (risos)

Mokona: É porque sua personalidade foi mostrada nos programas de rádio que tem feito durante todo esse tempo?

Sakamoto: Provavelmente – Eu apenas não consigo me conectar com meus fãs de uma forma fofinha. Por exemplo, me pergunto se meus fãs gostariam de ver esses tipos de fotos minhas (em uma pose fofinha), mas é impossível para mim.

Igarashi: Entendo. (risos)

Sakamoto: Quando você está desenhando uma história em um mangás, e quer desenhar esse tipo de coisas como uma menina com o coração acelerado, acho que você tem que ter o elemento “fofura” dentro de você para poder desenhar.

Ohkawa: Não necessariamente. (risos) Quer dizer, se você desenhou um romance realista, provavelmente seria depressivo. Não vou dizer que são todos assim, mas os romances que escrevo são um tipo de fantasia ou uma imagem do que é ideal.

Mokona: Quando desenho Kobato, desenho o tipo de garota que acho fofa e adorável na minha perspectiva.

Nekoi: Quando você dubla cenas de um romance você coloca seus sentimentos pessoais na sua atuação?

Sakamoto: Estou trabalhando na dublagem de dramas coreanos no momento e o primeiro pensamento é “Espere aí um minuto, não tem como isso acontecer”, mas então eu penso nas senhoras que realmente gostam de dramas coreanos.

Igarashi: Não há motivos para se tornar uma senhora logo (risos)… Você tem fraqueza por aqueles tipos de homens (que costumam aparecer em dramas coreanos)?

Sakamoto: Eu não era assim… Suas preferências mudaram com a idade?

CLAMP: Absolutamente sim. (risos)

Sakamoto: Eu achei que sim… ultimamente eu tenho tido uma queda pelo Haruma Miura, que é mais novo que eu.

Mokona: Lá vai você de novo em modo “senhora”. Você tem apenas 29, certo? (risos) Que tipo de homem você gostava quando era mais nova?

Sakamoto: Naquela época eu só tinha olhos para o Hiroshi Abe. Seu jeito sério e tudo mais.

Mokona: Então você gosta do tipo forte e silencioso?

Sakamoto: Ele pode até não ser sério do jeito que é quando está atuando, mas não parece que normalmente ele é o tipo de homem de poucas palavras? Muito tempo atrás eu gostei do tipo mais velho e taciturno, e não podia compreender a mera ideia de gostar de um homem mais novo, mas agora esses homens novinhos começaram a parecer atrativos, o que me surpreendeu.

Ohkawa: Então para você tudo bem sair com alguém mais novo que você?

Sakamoto: Não, não iria tão longe.

Nekoi: O que significa que você acha apenas a aparência exterior atrativa? (risos)

Mokona: Ou suas preferências se expandiram?

Sakamoto: Não, é só que homens mais velhos são todos casados ou desaparecidos, não acha? Todo mundo que é mais velho foi embora e tudo que restou foram os mais novos, então quando alguns desses homens mais novos e fofos me tratam gentilmente eu fico tipo “espere, o que é isso?” (risos)

Ohkawa: Mas depois que você chega aos 40 todos esses homens que pertenciam a outras mulheres se divorciam e voltam, como salmões nadando acima do rio. (risos)

Sakamoto: Tem algo especial sobre esses homens que voltam?

Nekoi: Você pode cruzar caminhos com ofertas muito mais atraentes. (risos)

Ohkawa: Primeiro de tudo, tudo bem para você alguém divorciado?

Sakamoto: Por mim tudo bem.

Igarashi: Quão velho é muito velho?

Sakamoto: Tem que ser mais novo que o meu pai…

Mokona: Por que seu pai? (risos) Quantos anos ele tem?

Sakamoto: 66 anos. Eu costumava ter um grande complexo de irmão, ao ponto de eu querer casar com meu irmão mais velho. Ele é muito legal comigo.

Igarashi: Isso é adorável. Quão novo é demais para você?

Sakamoto: Por volta de cinco anos mais novo que eu, acho.

Nekoi: Então 20 e por aí está fora de questão?

Sakamoto: Completamente.

Nekoi: Muito infantil?

Sakamoto: Um homem com 20 anos tem muita incerteza sobre o futuro, e eu não posso me apaixonar por alguém assim. (risos)

Ohkawa: Não é como se você estivesse comprando meias. (risos)

Sakamoto: Sim, mas não acha que isso é importante?

*: Shochu  é uma bebida destilada feita de diversos ingredientes como batata-doce, cenoura, arroz, trigo, cevada, trigo-sarraceno, mandioca, etc. 

Parte 1Parte 3

Entrevista “Maaya x CLAMP” para o folheto 0331 traduzida (Parte 1)

CLAMP X MAAYA SAKAMOTO TALK – 0331 (JANEIRO/2010)

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Uma Teoria de Amor Adulta

Participantes: CLAMP (Satsuki Igarashi, Nanase Ohkawa, Tsubaki Nekoi e Mokona) e Maaya Sakamoto

Sakamoto: Tem algo novo que eu quero tentar hoje, uma abordade só um pouco diferente do normal, nós vamos mandar imprimir essa conversa de um bando de garotas, e como vai aparecer no folheto que será vendido no meu aniversário de 30 anos, eu pensei em fazer perguntas sobre como uma garota deveria viver por volta dos seus 30 e essas coisas.

Nekoi: Exceto que estamos todas nos nossos 40 (risos)… mas embora você tenha feito várias músicas e interpretado vários papéis em nossas produções, parece que dificilmente nos vemos.

Sakamoto: A primeira vez foi para Bokura No Rekishi, certo? Quando eu tinha 16.

Igarashi: Nós ainda não nos conhecíamos quando você cantou a música de abertura para Card Captor Sakura ou quando você teve um papel da versão pra teatro… desde então nós não fomos para nenhuma festa.

Mokona: Naquela época você apareceu no programa para uma radio online que deve ter sido o máximo que já conversamos.

Sakamoto: Mas não foi a tanto tempo, foi? Tem certeza?

Nekoi: Você sabe, nós fomos no seu concerto ano passado no Tokyo International Forum e nossos assentos era do lado dos seus pais.

Sakamoto: Eram? Como vocês sabiam que eram eles?

Ohkawa: Os dois pareciam com você.

Sakamoto: Sério? (risos)

Nekoi: E por alguma razão não pegamos nenhuma daquelas varetas brilhantes que eles deram em segredo para todos. Então quando todo mundo balançou (as varetas brilhantes), nós fomos os únicos que não fizeram. Com todos os seus fãs lá, nós teríamos rastejado para debaixo de uma pedra se pudéssemos e especialmente com seus pais do nosso lado… Nós queríamos ter podido explicar que o motivo de não estarmos balançando com todos não era porque não queríamos.

Sakamoto: Ninguém deve ter pensado isso.

Ohkawa: Eles pensariam. Está lá no DVD do show – aqueles bons assentos e o único lugar que não estava aceso. (risos)

Mokona: Um amigo meu me contou que ela pensou que era lugar do engenheiro de som. (risos)

Continua…

Canção Universe no concerto Kazeyomi em 2009, onde todos levantam as varetas.

 

Entrevista completa para o site Natalie.mu traduzida

No início do mês, Maaya concedeu uma entrevista a revista online Natalie onde fala um pouco sobre o seu novo DVD “Follow Me” e principalmente sobre seu nono álbum de estúdio, “Follow Me Up”. Conheça um pouco sobre a construção do álbum através das palavras da própria Maaya! Veja a entrevista originalmente em japonês no Natalie.mu

Agradecimentos Henrique José e Tatiane Ferreira.

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(Pergunta) O seu mais novo trabalho é um DVD ao vivo de comemoração ao aniversário de 20 anos da sua carreira, cujo título “Follow me” foi revelado há quatro meses atrás. Primeiramente, poderia nos contar brevemente a respeito deste álbum ao vivo?

(Maaya) Antes de pensar em fazer esse DVD ao vivo, eu já pensava em fazer algo especial a respeito do aniversário de 20 anos da minha carreira. E, quando me dei conta, todos já estavam entusiasmados com essa ideia, o que me deixou um pouco nervosa a princípio.
Mas, com o andamento do projeto, esse nervosismo começou a se dissipar, e finalmente eu comecei a me concentrar nas canções que eu cantaria. E depois eu pensei: “que bom que eu consegui fazer esse DVD ao vivo!”. Foi um sentimento de satisfação bem estranho, na verdade. (risos).
Não que tudo tenha saído 100% perfeito. Ao contrário: muitas questões ficaram em aberto, mas eu consegui entendê-las e percebi o porquê de eu estar onde eu estou agora. Eu me abri totalmente para o meu público e tudo ficou claro pra mim. Em minha opinião, o dia da gravação desse DVD tem um significado muito especial para mim.

(Pergunta) Então, além de ter lançado um álbum de compilação, você optou por subir no palco como mais um passo para celebrar esse momento.

(Maaya) Sim. Eu queria muito “fazer um resumo” da minha carreira para marcar esta data. Eu queria ter um “marco” para esse momento, mas não me importaria se eu não conseguisse fazê-lo. Por agora, o show foi uma ocasião para eu olhar para o meu “eu interior”, e esse álbum se tornou um desafio (que foi ganho), para eu me concentrar no que eu sinto a respeito da minha carreira.

(Pergunta) Obviamente, antes de fazer um DVD ao vivo, você já tinha planos de fazer um álbum de inéditas para celebrar o seu aniversário, né? Inicialmente, qual imagem você pretendia passar com ele?

(Maaya) Um dos álbuns anteriores, lançado na primavera de 2013, foi marcado pela minha participação como compositora. E o single que eu lancei depois foi um que eu queria que estivesse presente em um álbum de compilações. Por isso, antes de decidir quais canções entram em um álbum, eu tenho que pensar como eles vão soar no momento da gravação. Mas, como uma música se comporta de modo diferente quando está em um single e em um álbum, como cada canção tem a sua própria força, quando eu as coloco em um álbum e tento torna-las um único trabalho, eu chego a pensar que é algo impossível de se fazer (risos).

(Pergunta) Ou seja, esse álbum já tinha a premissa de ser algo bastante variado. Ocupando a posição de compositora, você conseguiu solidificar uma carreira que já dura 20 anos. Você tem consciência de tudo isso?

(Maaya) Não. Dentro de mim, sentia que apenas o Sr. H-Wonder me dizia que esse álbum foi lançado no momento exato em que deveria ser lançado. Eu também recebi uma canção (Arco) que foi escrita pelo Kanno Yoko-san, mas essa música foi escrita para o anime “Code Gears” e já estava totalmente pronta. Por causa disso, sempre que eu faço um álbum eu tenho uma sensação de que eu, de algum modo, consigo atrair as pessoas necessárias para tornar realidade aquilo que eu gostaria de executar. Ao mesmo tempo, obviamente, eu conheço novos rostos, como a Sakai Yu-san.

(Pergunta) Bom, agora vamos falar um pouco sobre as suas novas canções. O álbum “Follow me” foi inteiramente composto de canções criadas por você, e essas músicas foram feitas de um modo diferente do que você está acostumada a fazer, né? Por exemplo, no ápice de uma delas nós temos a melodia A; na intro nós também encontramos a melodia A, e só então nos deparamos com a melodia B…

(Maaya) Esse álbum é um verdadeiro quebra-cabeça musical (risos).

(Pergunta) O ápice de uma delas termina com um arranjo bem complexo, né?  Você é uma pessoa muito ousada, musicalmente falando.

(Maaya) Quando eu estou compondo, pelo menos em minha opinião, eu me sinto fazendo algo tão espontâneo que eu nem penso muito nessa questão da complexidade. Quando eu escuto os primeiros resultados eu penso: “será que não seria melhor fazer um arranjo mais simples?” (risos). Mas eu sei também que eu não estou fazendo apenas uma canção, mas sim um álbum inteiro, o que também não significa que a música que eu vou compor se torne necessariamente a faixa principal do álbum em questão.
Relativamente eu coloco mais ênfase no projeto como um todo e eu me sinto bem mais confortável. Em um álbum forte, algumas faixas podem estar lá justamente para ser um relaxante para as pessoas, e eu as componho pensando exatamente nisso.

(Pergunta) Parece que nesse trabalho não houve nenhuma faixa cuja letra e melodia “brigaram” com o título. Qual foi a reação do Zentaro-san, que foi o encarregado de cuidar dos arranjos?

(Maaya) Bom, parece que o Zentaro-san reagiu muito bem a isso (risos). Ele construiu os arranjos sem modificar os elementos presentes nas demos que eu apresentei. Também não “brigamos” na questão de como os arranjos deveriam ficar no trabalho finalizado, apesar deles terem sido feitos em um período relativamente curto, né?

(Pergunta) É claro que depois de ter todas as faixas prontas, uma delas tem que ser a faixa-título do álbum, a faixa que vai carregar o peso de ser o tema central do álbum. Por que a escolha da faixa “Follow me”?

(Maaya) Bom, o porquê nem mesmo eu sei… Essa faixa foi produzida em um tempo curto e a letra foi escrita quando o álbum já estava praticamente pronto. Acho que foi por isso que ela soou tão natural e passava a mensagem que o álbum sintetiza. Mas dessa vez, eu creio que não era tão necessária uma música que resumisse a ideia do álbum.
Quando eu a cantei ao vivo, o sentido da canção não era necessariamente uma ordem para que as pessoas me seguissem, mas sim que seria legal se todos nós pudéssemos andar juntos em uma mesma direção. Mas agora eu penso se a escrevi pensando na minha audiência, como um modo de chamá-los para me acompanhar. Eu nunca havia feito uma canção assim antes, e quando eu experimentei cantá-la ao vivo, eu vi que essa faixa seria um bom tema para o álbum como um todo.

(Pergunta) A respeito do tema das faixas, parece que você ainda planeja mais novidades para comemorar os 20 anos da sua carreira.

(Maaya) Quando eu estava criando a canção “Sanagi”, eu me lembro de não estar satisfeita com o resultado, mas mesmo assim eu pensava “já está bom assim. Ela já alcançou as minhas expectativas!” (risos). Esse álbum foi feito para que eu demonstre como eu sou naturalmente, então eu me desafiei a mudar os rumos que eu costumo seguir, até o momento em que eu quebrasse a barreira que me impedia de extravasar a minha própria natureza. Além disso, eu creio que foi bom eu ter feito o concerto, mas mesmo assim eu não me sinto completamente satisfeita com tudo o que eu fiz até agora. Eu sinto que ainda posso fazer mais, né?

(Pergunta) Dentro desse contexto, você ainda sente que sobra tempo para fazer mais projetos, né? Dando a impressão de que você ainda tem ideias frescas na mente.

(Maaya) Nesse exato momento, eu sei que não dá pra continuar com tudo o que eu planejo fazer, obviamente. E eu não posso ser irresponsável a ponto de inventar de fazer tudo de uma vez só e o resultado acabar sendo ruim, né.
Eu sei que tudo vai acabar um dia e não sei as surpresas que me aguardam até a chegada desse momento, mas por enquanto eu quero seguir com calma. Enquanto isso eu posso apenas pedir… Para que as pessoas me sigam (risos). Vocês têm disposição para isso, né?

(Pergunta) A canção “Sanagi” teve o arranjo feito pelo Kitagawa Katsutoshi-san, do Round Table, né? Se levarmos em conta os créditos dessa faixa, nós pensamos em se tratar de uma música mais puxada para o pop. Mas ao ouvirmos, notamos que ela inesperadamente possui um estilo voltado para um rock mais seco, ousado e até pesado.

(Maaya) O Kitagawa-san sempre consegue criar músicas que se encaixam nas minhas necessidades. Ele ouviu todas as demos que eu havia gravado para esse álbum, o que é simplesmente incrível, mas dessa vez eu pensei: “por algum motivo essa canção não me lembra o Kitagawa-san de sempre”. Eu achei a ideia boa por ser algo novo e escolhi essa canção por ser algo que não segue a linha do álbum, se tornando uma surpresa para os ouvintes.
O Kitagawa-san é uma pessoa boa por natureza, o que é refletido nas músicas que ele faz. Ele sempre transmite uma energia positiva para nós. Apesar dessa faixa se desviar um pouco do caminho que ele costuma seguir.

(Pergunta) Então essa música se desviou do caminho.

(Maaya) E eu gosto dessa sensação. Quando os arranjos iam prosseguindo eu ficava falando coisas como “ei, isso está meio sujo” ou “pode deixar essa parte mais agressiva” (risos). Mas mesmo assim ela se tornou uma canção bem eloquente, como eu pensava. Bem do jeito do Kitagawa.

(Pergunta) você já havia falado um pouco a respeito da faixa “Arco”, que, ao contrário de ter sido uma música feita especificamente para esse álbum, já foi enviada pronta para você.

(Maaya) Isso foi no final do ano passado. A Kanno-san e a Iwasato-san estavam trabalhando juntas desde 2012, mas os responsáveis pelo anime “Code Geass” as chamaram para decidir o tipo de música que eles iriam usar para a trilha sonora. Então ela foi dada a mim por achar que ela combinaria com o meu jeito de cantar, né?

(Pergunta) Então ela não entraria no álbum inicialmente.

(Maaya) Isso mesmo. Mas como na produção dessa faixa estavam a Kanno-san e a Iwasato-san, eu pensei que ela tinha que estar no meu álbum de aniversário (risos). E como resultado, essa música combinou muito bem com as outras faixas do álbum.

(Pergunta) A faixa “Kore Kara” também foi anunciada no seu show de comemoração, e essa canção foi escrita para o filme de animação “Tamayura”. Ela tem um conteúdo que combinou perfeitamente com a sua fase atual.

(Maaya) Ao mesmo tempo em que é uma canção feita para esse anime, ela foi feita de modo que me passasse a imagem de estar cantando ela ao vivo no estádio da Arena de Saitama. Em uma das ocasiões apenas com o acompanhamento de um piano e na outra, de um modo mais saudoso, exibindo imagens do passado.

(Pergunta) Até nisso você tem um modo de pensar bem calculista.

(Maaya) Sim. Eu acho bom eu ser capaz de pensar em tudo de um jeito bem sistemático. Na minha opinião, eu fiquei muito satisfeita por essa música fazer essa ligação entre o passado e o presente.

(Pergunta) E então temos a faixa “Waiting for the rain”, com Rasmus Faber, que é o tema de encerramento do anime “Gakusen Toshi Asterisk”.

(Maaya) Ele cantou essa música comigo como convidado no Billboard Live Tokyo em maio desse ano, mas depois ele teve uma conversa comigo sobre eu cantar ou não essa canção para o encerramento desse anime.

(Pergunta) Você chegou a pedir para cantá-la para a versão desse anime?

(Maaya) Não. Eu já compreendo bastante o que combina mais comigo, e esse anime tem uma relação mais profunda com ele. Então essa canção foi confiada aos seus cuidados.

(Pergunta) “Road Movie” tem a colaboração da Cano Caoli, né? Somando às canções “Ame ga Furu” (single lançado em Outubro de 2008) e “Mizuumi” (faixa do álbum “You Can’t Catch me” de 2011) já é a terceira música com essa parceria, né?

(Maaya) Enquanto eu ouvia as demos vindas de várias pessoas para a construção desse álbum, essa foi a primeira música que eu decidi que faria parte do trabalho final. É uma canção feminina e madura, e combina com a minha fase atual… Essa canção é até misteriosa em certos pontos. Você não sabe se ela tem um ar sombrio ou animado, e eu fiquei cativada pela relativa dificuldade que tenho em cantá-la. Quando ela caminha em direção ao clímax, no lugar dela crescer em seus arranjos, ela inesperadamente vai ficando mais calma. Esse é o ponto alto dessa faixa.

(Pergunta) A canção “Mizuumi” também lembra essa faixa, então parece que essa parceria de vocês está desenvolvendo um estilo peculiar de arranjo e de refrão nos seus trabalhos, né?

(Maaya) Como o refrão de “Mizuumi” me agradou bastante, eu disse: “eu quero fazer algo parecido outra vez” mas…  Provavelmente acabamos colocando muito do “Mizuumi” nessa faixa. Para fazer esse refrão, nós batalhamos duro por dois dias inteiros! (risos)

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(Pergunta) “That is to say” é uma faixa que, no início, você diz que foi a única em que você teve consciência de seu momento atual de transição. Ela foi escrita por H-Wonder, né?

(Maaya) Quando eu estava desenvolvendo o livreto do CD ao vivo, eu tive uma conversa com o H-Wonder, a primeira desse ano. Nessa conversa, falamos muito sobre o passado, e pensei se a Maaya de agora conseguiria fazer boas músicas junto com ele.
O H-Wonder já contribuiu em duas musicas minhas, a “Loop” (single lançado em Maio de 2005) e “Spica” (lançado em Junho de 2006), que são canções muito adoráveis. São músicas que transmitem um sentimento de tranquilidade, mas essa faixa de agora é diferente. Dá um certo espanto ao ouvi-la e você pensa “Ah! Ele ficou desse jeito?”. Mas é uma faixa mais puxada pro universo do Yawata-san.

(Pergunta) Um universo diferente do H-Wonder.

(Maaya) Essa faixa tem a imagem que eu já conheço do Yawata-san, né? E eu fiquei feliz por ter “me deparado” com essa canção. Eu a escolhi porque eu penso que na minha idade atual eu sou capaz de cantar algo assim.

(Pergunta) A faixa “Sanagi” do Kitagawa-san, junto com a “That is to say” eram opções de escolha para você, mas não eram músicas que lembram o estilo de seus criadores, né?

(Maaya) Não faz sentido repetir sempre os mesmos resultados das parcerias, e essas também são músicas que nós não acreditávamos ser capazes de fazer na época em que nos conhecemos. É sempre um bom desafio fazer algo inesperado, né?

(Pergunta) A faixa “Kasukana Melody” tem a colaboração de uma pessoa diferente, o Sakai Yu-san. Por que fez essa escolha?

(Maaya) Parece que o nosso diretor acreditava que o meu estilo não combina com o de Sakai-san. Mas como eu já planejava trabalhar com novos nomes nesse álbum, eu fiquei pensando em como seria o resultado ao trabalhar com essa pessoa.

(Pergunta) Temos a impressão que, gradativamente, as colaborações com Sakamoto Shintaro-san como produtor e Kono Shin-san nos arranjos estão cada vez menores.

 (Maaya) Eu não me lembro de termos nos reunido para trabalharmos juntos recentemente (risos). Mas praticamente o que nós já conseguimos foi tudo graças às ótimas colaborações que tivemos. E dentro desse álbum tem faixas que me deixaram realmente satisfeita, né?

(Pergunta) Eu creio que o Sakamoto Shintaro-san é um compositor que transmite as emoções em pouquíssimas palavras, chegando a ser simples ao extremo. E eu senti o mesmo ao ouvir as suas canções do ano passado. Você também disse em uma ocasião que “ele tem o estilo de compor que eu quero seguir”, né?

(Maaya) Eu tinha há muitos anos atrás o objetivo de compor letras com palavras mais simples, mas quando eu me deparei com as composições do Shintaro-san eu pensei: “com certeza é isso o que eu quero fazer”. Mas como isso é algo natural do Shintaro-san, eu percebi que nunca conseguirei fazer algo igual, mesmo se me esforçasse bastante. Até porque eu acredito que as palavras escolhem o momento certo para se revelarem. Eu sou muito influenciada por elas, por isso eu encorajo os colaboradores a tecê-las (as palavras) de acordo com o meu mundo. Quando eu experimento cantar algo, eu sinto em mim a mensagem que quero passar além das palavras, o que me deixa muito feliz como cantora.

(Pergunta) A faixa que termina o álbum, “Iris”, foi composta e produzida por você, com a participação de Suzuki Shoko-san nos arranjos. Parece que é a primeira vez que Shoko-san faz os arranjos de uma música feita por outra pessoa.

(Maaya) Até agora, as músicas que eu compus tinham os arranjos feitos por Kono Shin-san ou Zentaro-san, mas nessa faixa específica eu pensei em fazer algo mais simples, o que me levou inicialmente a chamar Kono Shin-san. Mas como eu queria experimentar coisas novas, enquanto eu pensava em qual pessoa eu deveria chamar, me veio a imagem de Shoko-san, apesar de precisar apenas do arranjo… Eu pensei bem e acabei mesmo chamando Shoko-san para esse trabalho.

(Pergunta) Por que veio a imagem de Suzuki Shoko-san ao pensar em arranjos?

(Maaya) As demos que eu fiz continham apenas os vocais, o piano e o coral, mas como eu não sei tocar piano muito bem, eu fiz o arranjo da forma mais simples possível. Eu queria uma canção com mais entusiasmo, como se o som do piano e a voz se tornassem um só. Eu queria que essa música tivesse um toque mais pessoal, mesmo que fosse apenas durante o processo de gravação. Shoko-san raramente modifica a ideia central das demos, e ela consegue criar a impressão de que estamos fazendo música ao vivo, né? Eu pensei que esse estilo pessoal dela combinava com a minha proposta, e também considerei o fato dela conhecer pessoas que cantam enquanto tocam piano simultaneamente.

(Pergunta) Na época da produção das demos, que tipo de imagem você tinha das músicas?

(Maaya) Eu crio a imagem antes dentro da minha cabeça, então eu escrevo músicas como se elas fossem scripts. Por isso, eu sempre agradeço por encontrar pessoas que conseguem captar as imagens que estão obscuras na minha mente. Eu não creio que eu consiga explicar as minhas ideias em palavras mais poéticas, é por isso que Shoko-san é a primeira pessoa a quem eu recorro quando eu quero transformar essas minhas imagens em sons.

(Pergunta) As imagens que você tem na sua mente podem ter várias interpretações dependendo das pessoas a quem são descritas, mas eu creio que você quis fechar o álbum com uma faixa que contenha um toque musical peculiar.

(Maaya) Isso mesmo. Se não fosse assim, eu terminaria o álbum com outra faixa qualquer (risos). Apesar de ser uma faixa simples, ela é inesperadamente forte, e a imagem que ela quer passar não é tão explícita assim.

(Pergunta) Bom, você fez um grande show comemorativo, produziu um álbum de inéditas, e a tour desse CD está próxima de começar. Enquanto você está nas atividades de aniversário, você sente que houve alguma mudança em você, espiritualmente falando? Pode ser tanto as grandes mudanças quanto as mais triviais.

(Maaya) Hum… O que eu devo ter mudado… Não que eu tenha planejado alguma mudança, né? Já que alguns aspectos você muda naturalmente, mas… Depois do meu aniversário de 15 anos de carreira eu comecei a compor, e desde aquela época eu acho que fiz um bom progresso em me expressar musicalmente, mas como eu não conhecia essa área de composição, eu acredito que estou melhorando bem aos poucos.
Além disso, eu creio que eu ainda não fiz tudo o que eu quero fazer, né? O que eu ando pensando atualmente é se eu estou mesmo passando por mudanças significativas nesse momento. Depois que eu passei a fazer as minhas próprias canções, eu passei a ouvir com outros ouvidos as músicas que as outras pessoas criam.

(Pergunta) Compor músicas é algo divertido para você?

(Maaya) É divertido sim. Deve ser porque eu não forço muito o meu trabalho. Dessa vez foram três faixas, e antes eu já havia construído um álbum inteiro, mas mesmo tendo muito que fazer, eu ainda sinto que posso me divertir fazendo isso.
Eu tenho muitas pessoas que escreveram ótimas canções para mim. Eu confio a eles algumas canções mais complexas e difíceis, e assim eu consigo me concentrar no topo de música que eu realmente quero fazer, do meu mundo pessoal.
Por esses motivos, eu gosto muito do que eu faço, mas se eu tivesse que trabalhar constantemente, sem parar, fazendo singles e faixas para álbuns, aí talvez isso deixasse de ser tão divertido assim (risos).

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(Pergunta) Quando você acha que o trabalho de composição está ficando pesado, essas pessoas que te ajudam podem te mostrar algo novo, para tornar as ideias mais frescas, né?

(Maaya) Com certeza. Eu tenho mais de 100 canções feitas, e às vezes eu me sinto um pouco sobrecarregada. Tem vezes em que eu quero deixar as coisas um pouco de lado por um tempo, então quando alguém fica repetindo constantemente esse desejo de parar pra descansar, eu digo que não é preciso ficar trabalhando até as últimas forças. Se não, a pessoa para de gostar do que faz.

(Pergunta) Agora, e em relação às músicas? Não como compositora, mas sim como cantora. Fale um pouco a respeito do seu aniversário de 20 anos de carreira.

(Maaya) Em relação a cantar… Num bom sentido, não chega a ser algo tão especial para mim, mas isso é porque cantar se tornou algo corriqueiro em minha vida. Quando eu fiz a minha estreia, a ideia de cantar na frente de um microfone era algo tão incomum que era algo realmente especial. Antigamente eu tinha um sentimento forte de que eu sempre deveria cantar bem, e eu ficava muito preocupada e nunca estava satisfeita. Então, na época, eu passei por momentos bem duros. Agora o fato de eu ter melhorado é algo importante, mas o que realmente importa pra mim é a minha satisfação pessoal. Pensando sob esse ponto de vista, cantar se tornou algo bem mais prazeroso pra mim, né? Mesmo eu ainda achando que fazer isso é difícil. Nesse último álbum eu também tive canções mais difíceis, mas, ao pensar assim, nós acabamos pensando em achar uma maneira de tornar as coisas mais fáceis, né?